É estranho .... até algo ruim não acontecer na sua vida, você nunca parou pra pensar que de fato isso um dia poderia acontecer. E quando acontece, tudo muda, você se questiona, tenta entender, mas algumas coisas foram feitas para não ter explicação e sim aceitar, por mais difícil que seja. E se você consegue aceitar já é um ser humano muito além de todos os outros, mas eu tenho certeza que não sou este ser, e estou muito longe de ser.
Diante de uma doença terrível e seu diagnóstico você sente que abriu um buraco nos seus pés, parece que o mundo congela e que tudo que você está ouvindo é um engano, que tudo vai ficar bem.
Minha fé não me permitiu acreditar no que eu estava ouvindo : maligno, metástase, quimioterapia, fim.
Eu queria respostas, saídas ... tinha que haver protocolos á serem seguidos, remédios, operações .... tinha que haver vida no lugar daquele câncer maldito !
Foi em uma sexta-feira antes do aniversário do Beethoven, observei ele como em todas as manhãs antes de ir trabalhar. Ele parecia " normal ", mas algo não me pareceu normal, um dos testículos estava extremamente aumentado, o que me causou pânico.
Larguei tudo ... no mesmo dia não fui trabalhar, eu chorava pois tinha certeza que ali havia uma doença qual convivo desde os 05 anos quando perdi meu irmão vítima de um tumor malígno no cerebro.
Após o ultrassom, começou nossa luta, e a primeira cirurgia marcada um dia depois do seu aniversário de 11 anos.
Celebramos com um amor muito grande, mas com o coração apertado. Mas eu sabia que a cirurgia ia ser tranquila e que logo estaríamos livre daquele pesadelo.
Sempre pedi á Deus pra não levar o Bee da insuficiência renal que ele carrega desde os 06 anos, e que está sob controle desde então, mas nunca imaginei que Ele poderia leva-lo de outra forma mais agressiva. BE CAREFUL THAT WHAT YOU WISH !!!
Fui busca-lo e ainda estava sonolento devido á anestesia, estava ciente que os cuidados á partir de então seriam focados 100% para uma qualidade de vida, mas minha alegria ao ve-lo novamente e recebendo alta era enorme, eu sabia que ele ia voltar pra mim.
Acho que na hora não e preocupei com o resultado da cirurgia, queria era sair da clinica e grudar nele, beijar suas patinhas e mostrar o quanto o amava.
O câncer me fez aprender que quando um médico se cala e pede pra você sentar as notícias não são as melhores, mas naquela época eu não sabia nada disso, não sabia que essa doença arrasa com todo mundo.
O tumor era malígno, e o pequeno perdeu muito sangue, era uma espécie rara, e muito agressiva. Estava enraizado e não foi possível retirar toda massa tumoral, provavelmente após exames talvez fosse necessário uma quimioterapia. Minha mãe estava comigo e foi totalmente contra, eu não dei uma palavra, eu só queria não acreditar que eu estava ouvindo aquilo.
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